Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Alex

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Fotografia : Ricardo Bravo

 

Conheci o Alex Botelho na altura em que o fotógrafo Ricardo Bravo me desafiou a fazer um trabalho sobre o surf no Algarve para a revista SURFPortugal. O pretexto era a “nova geração” de surfistas locais, entre outras peculiaridades do surf na região. Com ele, estavam outros: Os gémeos Guichard, o Miguel Mouzinho e os irmãos Belime. Para além de todas as impressões “jornalísticas” que possa ter tido, lembro-me perfeitamente de ter ficado com a ideia de que aqueles tipos, daquele grupo em especial, eram diferentes de tudo a que estava habituado. Cada um à sua maneira, para além do surf, transpirava o carisma que só uma personalidade criativa e uma visão desprendida da vida podem oferecer. Talvez reflexo do lugar onde viviam, das suas diversas origens culturais e curiosas histórias familiares. Talvez de tudo isso, ou talvez de nada disso, apenas da minha perspectiva pseudo-urbana de quem achava tudo aquilo muito alternativo, como se, provavelmente, não fosse do mais básico provincianismo esse meu exercício de estruturar aquilo que poderia ser, afinal, uma das mais bonitas das verdades sobre a naturalidade da vida. Como estamos habituados a tantas camadas, a perspectiva do que é simples tende, por vezes, a complicar-se.

 

les outra qualidade, talvez esta bem menos etérea. A capacidade de se levarem a sério apenas numa coisa: em não se levarem demasiado a sério. O que, numa época digital explosiva em que toda a gente leva demasiado a sério a projecção da sua identidade, é particularmente notável. E sim, podes continuar a ser absolutamente brilhante e profissional no que fazes e não te levares assim tão a sério, como ficou bem patente na série de vídeos “No Edit” (ver na lista do lado direito), entre outros, criativos e incrivelmente bem-humorados, que Alex foi lançando ao longo dos últimos anos, e que têm feito furor em alguns dos maiores sites de surf do mundo. Mas desengane-se quem acha que foi alguma conspiração cósmica que colocou este vídeos no olho do furacão devido ao “karma” do algarvio. Porque, para além da humildade, uma das características que os seus amigos mais próximos lhe apontam é ser incrivelmente metódico.

 

Já passaram quase sete anos desde esses dias. Quase todos chegaram ao grupo dos melhores surfistas portugueses. Ao contrário dos outros, devo ter reencontrado o Alex um par de vezes apenas. Com um sorriso do tamanho do mundo que já viveu e das ondas que surfou, numa carrinha velha, algures na Ericeira. Mas tenho-o visto por aí também, um pouco por todo o lado, em notícias apanhadas na grande rede e nas capas e páginas de revistas que vão pontuado com exclamações a sua história única. As suas aventuras na Califórnia, as ondas pesadas e os tubos na Ericeira, a onda quilométrica de Lagos. E aqueles vídeos…Que mais estará para chegar? Ouvi dizer que agora anda pela Indonésia. Porquê? Como?

 

Não vale a pena pensar muito sobre o assunto. Porque se, suavemente, removermos estas camadas todas, regressamos ao simples — ao que é. E parece que uma das mais bonitas verdades sobre a naturalidade da vida é mesmo vivê-la. Sobre isso, sei isto: o Alex sabe muito.

publicado por manuelcastro às 10:33
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