Quarta-feira, 17 de Junho de 2015

Possibilidade

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Hoje em dia, o surf oferece-me pouco mais que uma possibilidade. Dos raios de luz matinal a espelhar naquelas linhas de metros e metros e metros de onda em águas cristalinas, ao silêncio profundo do mar no dia que cai e em que se vê o horizonte de fogo no fim de tarde; a quietude e a velocidade; o êxtase e o conforto; o solidão e a partilha; o susto e o prazer; a praia, a areia, as pedras, o fundo do mar, o cheiro do vento Suão; conduzir pela costa, fugir às previsões e à previsibilidade, enfim, esses e tantos outros clichês normais associados ao “desporto” ou “estilo de vida” que, para mim, é só ir ao surf e mais nada.

Um lugar confortável, é isso. Que sei que está lá, sem merdas nem regras, apenas a verdade verdadeira do tempo da Natureza — da lua, das marés, das ondulações, do vento. Ir ao surf é algo que hoje vou usando com tempero regrado, sem forçar, sem insistir, sem mais do que aquilo que realmente quero. Não que não possa ser muito, até excessivo, desde que isso corresponda àquilo que preciso. Estou-me a borrifar se hoje estão ondas boas e se não me apetece. Pode acontecer e isso é realmente a diferença para há dez anos atrás. É possível que seja da idade.

É um pouco como as pessoas, só me interessam não porque têm que me interessar ou porque é física e mentalmente suposto que assim o seja, mas porque, de facto, interessam, ainda que isso possa ser absolutamente estúpido.

Saber que o surf está lá é realmente importante para mim. Hoje em dia, o surf oferece-me pouco mais que uma possibilidade. Mas, para mim, o surf é a melhor possibilidade do mundo.

publicado por manuelcastro às 16:44
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