Domingo, 16 de Agosto de 2015

Sul

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Na pior das hipóteses, Sul será sempre uma boa metáfora. Na melhor, tudo o que nós quisermos. Numa altura em que o que mostramos parece ser mais importante do que aquilo que somos, o Sul só quer saber de quem somos. Porque, por ali, também só se tem a si mesmo para partilhar, sem truques de ilusionismo. Falo do meu Sul, claro, que o dos outros não sei.

O Sul é anunciado por uma placa mas antes de lá chegar eu já lá estava. Ou melhor: o Sul estava em mim. Desde logo porque o Sul cheira bem, o que alimenta o fulgor da sua memória. Porque tem mais de mediterrânico do que finlandês, tem calor, conforto e tranquilidade, serras, planície e mar onde, como se sabe, o tempo anda ao contrário. Não tem muitas cores mas as que tem estão muito bem assim: quentes. Se fosse só uma cor, não saberia bem como descrevê-la mas seria seguramente aquecida na lareira de uma casa branca à beira de uma estrada poeirenta a caminho da serra e chamava-se Sul. Como o “Azul do Manchester City”, mas sem ser azul e do Manchester City.

Por falar em azul, a Sul a cor do Sul encontra-se com a cor do mar, azul, de uma forma natural, como se não tivessem combinado nada: é campo e praia ao mesmo tempo, algo que nunca foi tão bem explicado como pelos desenhos do João Catarino. Os melhores dias de surf são como em todo o lado, mas melhores ainda, porque são no Sul. Os piores, claro, não são tão maus assim, porque são no Sul.

E agora vou ali e não volto. Na melhor das hipóteses.

publicado por manuelcastro às 18:56
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